Cresci numa família onde minha mãe gostava de Robbie Williams e meu pai de Baden Powell. Por muito tempo baseei qualquer relacionamento amoroso que tive no casamento dos meus pais. Inclusive baseado na diferença de gosto musical. Sei lá, sinto que Freud explica. E através de indas e vindas de relacionamentos eu cada vez mais acreditava no dito popular que os opostos se atraem. Aquelas comédias românticas da garota nerd que se apaixona pelo popular da escola sempre aqueciam meu coração de alguma forma.
Até que, em meados de 2014, tivemos uma catarse musical aqui em casa provocada por uma onda de Elton John. Não sei explicar por quê. Todos ficamos viciados. Até mesmo meus pais, com toda bossa nova e os gritos de "Angels" que se reproduziram por muitos anos opostamente em nossa família. Meu irmão, como bom apreciador de música, me contava as histórias por detrás das letras profundas das canções de Sir Elton John. Algumas eu ficava impressionada. Outras, sentia pena. Mas minha maior surpresa foi nunca ter engolido direito a história de "Someone Saved My Life Tonight".
Reginald (Sim, este é o nome verdadeiro do nosso pianista britânico favorito) estava prestes a se casar com uma mulher que não acreditava no seu potencial musical (!!!!!!), bem como carregava o noivo nas costas por ser oriunda de uma rica família. O entusiasmo inicial de um relacionamento comum culminou num preparativo imaturo de casamento. Elton John estava perdidamente confuso por entender que não amava Linda, sua noiva na década de 60, e, sem coragem de terminar o relacionamento, acabou tentando se matar com o gás do fogão de sua casa. Felizmente seu amigo, ao sentir o cheiro de gás, chega a tempo de detê-lo e ambos percebem que a tentativa de suicídio seria frustrada de qualquer maneira: Elton John teria se esquecido de fechar as janelas de sua casa. Moral da história? O cantor sobreviveu e escreveu um hit que marcou os anos 70.
Durante algum tempo achei essa história pouco comovente e segui a vida. Até que, como por uma ironia do destino, me peguei na mesma situação. Não, eu não estava noiva. Nem ao menos pensava em suicídio. Mas estar num relacionamento sem futuro e sem coragem de terminar por achar que poderia, em algum momento, dar certo, começou a me deprimir lentamente. Com o tempo ele começou a me perguntar se havia algum coisa de errada e eu só pensava, "Eu sei lá o que está acontecendo com a minha cabeça?".
Foi então que algumas semanas de reflexão profunda (ou muitas poesias escritas em aulas em que eu deveria estar prestando atenção) fizeram com que eu percebesse que eu não precisava que aquele relacionamento desse certo. O medo de ficar sozinha estava falando muito mais alto. Ademais, os opostos não se atraem dessa maneira. Os casais podem ter gostos musicais diferentes, personalidades distintas e até mesmo um gostar de Friends e outro de How I Met Your Mother. Mas não é disso que estamos falando. Para que uma relação dê certo a minha experiência diz que o respeito, os ideais, o desejo de crescer e a vontade de estar em um relacionamento devem ser iguais. E se você está há certo tempo tentando dar certo e a coisa simplesmente não encaixa, meu amigo, você não precisa chegar ao seu limite. A partir daí comecei a entender por que existiam pessoas que viam futuro em uma relação em que visivelmente ambas as partes formam um desencaixe total. Culpa das comédias românticas. Ou talvez de pais com gostos musicais diferentes. Não sei, depois dessa história só me resta dizer: Obrigada, Elton John.
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