sexta-feira, 22 de março de 2013

Noção do ridículo

O que é ser ridículo?


Para as crianças ser ridículo é nunca ter tomado banho de chuva ou de mangueira. É nunca ter ralado os joelhos, levado um tombo e ter aberto o berreiro! É nunca ter brincado de boneca ou de carrinho. É não ter chupado picolé ou sacolé em dias de muito calor. Ser ridículo é não ter morrido de vergonha da mãe levando você até à sala de aula. Ou não ter tido medo da própria mãe, que você sentiu vergonha horas antes, esquecer de te buscar na hora da saída.



Para os adultos ser ridículo é esquecer quem você é. É ignorar todos os valores já construídos na infância, ou os sentimentos sentidos na adolescência. Ser ridículo é se focar em trabalho e mais trabalho, quando sabemos que a vida não é só isso! É não sair para se divertir. É não extravasar um pouco na comida aos fins de semana, só pra aliviar a culpa dos problemas que os cercam. Ser ridículo nos adultos é esquecer das (in)experiências joviais. O sabor do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira nota ruim, da primeira briga séria com os pais...



Para os velhinhos ser ridículo é concordar que eles estão velhos demais para experimentarem coisas novas! É não chamar os amigos de infância para tomar chá ou jogar baralho. É respeitar as ordens dos filhos sobre não fazer artimanhas... Afinal, uma artimanha ou outra nesta fase da vida vale a pena! Ser ridículo é o vovô não jogar bola com o neto, se baseando nas suas dores de articulação. É a vovó que não mima a neta, que não dá doces escondidos, que não aconselha sobre as durezas do dia a dia.



Para todos nós, independente da idade, ser ridículo é não saber que de vez em quando uma cafonice cabe. É não pagar mico. É não entender a simplicidade da vida em um sorriso, num sonho de uma alma, na esperança de uma criança... É não discutir um pouco com amigos e familiares, mostrando seu ponto de vista. É não ter senso crítico. Ser ridículo é ver aquele seu amigo querido com outra pessoa e não sentir uma pontinha de ciúme. Ser ridículo é não ter passado por um momento de tristeza, para valorizar o de alegria. É não ter se decepcionado, não ter se magoado, não ter amadurecido. É não ter tido momentos bons conquistados por momentos ruins.



Ser ridículo é não ter vivido.

2 comentários:

  1. Adorei Luísa! Continue escrevendo rs

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  2. Amei o texto, amiga! Amei muito! Quantas sutilezas e lembranças dóceis e importantes de cada fase!

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